
— Chico! — chamou em surdina. — Chico! Queria acender a luz e não atinava com o fio do candeeiro. "Ah... ah..." A respiração alterara-se e agora ressoavam suspiros! Gelado de pavor, saltou da cama e foi abanar o Chico.
— Acorda, pá! Ele sobressaltou-se.
— Hã... o que foi? Hã?
As raparigas, acordadas pelo mesmo som cavernoso, reagiram lançando-se pela escada abaixo a chamar pelos amigos. Chocaram com eles, tropeçaram uns nos outros e rebolaram pelo tapete em várias direcções. Pedro deu uma bruta cabeçada na parede, Filipa magoou-se horrivelmente no bico de uma mesa, as gémeas derrubaram peças de loiça e os gemidos foram abafados por um berro monumental e gutural:
— Uahrrr... Seguiu-se uma berraria desafinada e a luz acendeu-se como que por encanto. Estavam todos brancos como a cal e entreolharam-se apalermados.
— O que é que aconteceu? — gaguejou a Filipa. — Ah... — Ouvi barulhos...
— Eu também. Instintivamente calaram-se, e o silêncio abateu-se sobre eles como uma garra.
— Tenho os ombros gelados — queixou-se a Teresa.
Luísa esfregou os próprios braços como se também ela sentisse frio.
— Quem é que acendeu a luz? — perguntou.
— Quanto a isso não se preocupem — informou o Pedro. — Carreguei num botão por acaso.
— E quem é que deu berros tipo urso enfurecido? O João e o Chico acusaram-se, abanando a cabeça, e deixaram-se cair ambos no sofá.
— Acho que vi um fantasma — disse o João por fim. — Ou melhor, tenho a certeza.»
in Uma Aventura na Casa Assombrada, pp. 46-47
in Uma Aventura na Casa Assombrada, pp. 46-47